Quando um vereador decide trabalhar de verdade, sair do ar-condicionado do gabinete e mostrar a realidade nua e crua das ruas, o sistema logo tenta criar uma narrativa para desqualificar a cobrança. É exatamente isso que está acontecendo com Luciana Horta, a vereadora mais votada nas últimas eleições em Rondonópolis, que agora é alvo de “fogo amigo” e tentativas de desgaste por simplesmente fazer o básico: fiscalizar e cobrar a Prefeitura.
O burburinho dos bastidores tenta emplacar a tese de que Luciana estaria fazendo oposição premeditada à gestão do prefeito Cláudio Ferreira, de quem é aliada política, visando as eleições para deputada estadual. A estratégia é velha e conhecida: quando a denúncia dói e o problema é real, ataca-se o mensageiro para não ter que explicar a mensagem.
As cobranças recentes da parlamentar sobre a falta de infraestrutura nos bairros Altamirando 2 e Maria Amélia 2, além das filas humilhantes de madrugada no CEADAS, não são ataques políticos, são gritos de socorro da população que não aguenta mais promessas vazias. Dizer que o problema é “herança maldita” da gestão anterior não resolve a vida de quem está com o pé na lama ou esperando horas no relento por um exame. O povo elegeu a atual gestão para resolver os problemas, não para justificar por que eles continuam existindo.
Luciana Horta não foi a campeã de votos em Rondonópolis para ser vaquinha de presépio ou para bater palma para buracos e filas. O papel de um vereador, independentemente do grupo político a que pertence, é exatamente este: fiscalizar, indicar soluções e legislar. Achar que cobrar o Executivo é “traição” ou “rompimento” revela uma visão ultrapassada de que o Legislativo deve ser um puxadinho submisso da Prefeitura.
A reação do prefeito Cláudio Ferreira, sugerindo que a vereadora “quis ser oposição”, soa como uma tentativa de jogar a culpa no colo de quem está mostrando a ferida. Não há projeto político que se sustente em cima do sofrimento do povo, e tentar transformar o dever funcional de uma vereadora em “cálculo eleitoral” é subestimar a inteligência do eleitor rondonopolitano.
A verdade é uma só. Rondonópolis elegeu uma vereadora para cobrar, e ela está cobrando. Se o trabalho de fiscalização incomoda os aliados no Executivo, o problema não está em quem aponta o erro, mas em quem ainda não conseguiu consertá-lo.





