Uma situação envolvendo estagiários da rede municipal de educação de Rondonópolis tem gerado relatos e questionamentos. Um dos casos aconteceu na Escola Municipal Odorico Leocádio da Rosa e envolve uma estagiária que atua no apoio a crianças atípicas. Ela afirma que foi desligada após se afastar por motivo de saúde, mesmo com apresentação de atestado médico.
De acordo com os relatos, o problema vem sendo registrado desde o ano passado e segue ocorrendo em 2026. Estagiários afirmam que, ao precisarem faltar por doença, são informados de que não podem se ausentar. Caso isso aconteça, o contrato de estágio é encerrado.
A justificativa apresentada, segundo os estagiários, é de que eles não teriam direito a atestado médico. No entanto, ao analisar normas gerais de estágio, não há indicação de proibição para afastamento por motivo de saúde, o que levanta dúvidas sobre a prática adotada.
Os estagiários atingidos atuam diretamente no acompanhamento de alunos com necessidades específicas dentro das salas de aula. Eles auxiliam professores nas atividades diárias, o que exige presença constante e envolve contato direto com crianças.
Uma das estagiárias, que preferiu não se identificar, relatou o caso vivido por ela:
“Eu precisei me afastar durante 15 dias devido a uma pneumonia viral. Fiquei sem condição de ir trabalhar e comuniquei no dia em que fui buscar atendimento médico. Como a situação piorou, avisei novamente que não conseguiria ir. Quando retornei, após a melhora e o fim do atestado, fui informada que ele não seria aceito e que meu contrato seria encerrado. Disseram que estagiário não tem direito a atestado. Se faltar, mesmo por doença, é desligado.”

A estagiária também relata que, mesmo após o encerramento do contrato, continuou trabalhando por um período e não deve receber pelos dias trabalhados.
Segundo os relatos, a regra é aplicada sem considerar o motivo da ausência. Situações como doença ou problemas pessoais não impedem o desligamento.
O caso levanta questionamentos sobre as condições oferecidas aos estagiários e sobre o impacto dessa medida no ambiente escolar, principalmente pelo contato direto com alunos. Também há relatos de medo de se afastar mesmo sem condições de saúde.
A reportagem tentou contato com a Secretaria Municipal de Educação de Rondonópolis para esclarecimentos, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.





