O Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM) assinou na última quinta-feira (21) um Protocolo de Intenções com o Grupo de Trabalho da Mineração da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), consolidando uma articulação institucional inédita voltada ao fortalecimento da mineração sustentável, rastreável e tecnologicamente avançada no estado. O acordo estabelece cooperação estratégica entre as instituições para desenvolvimento de políticas públicas, incentivo à inovação e fortalecimento da cadeia produtiva mineral e joalheira mato-grossense.
A assinatura ocorreu no contexto das discussões sobre a construção de uma Política Estadual de Geologia e Recursos Minerais, considerada estratégica para o futuro econômico de Mato Grosso. O Grupo de Trabalho da Mineração da ALMT é presidido pelo deputado estadual Max Russi, representado no ato pela vice-presidente Dra. Taís Costa. Também assinaram o documento o diretor executivo do IBGM, Écio Barbosa de Morais, e o diretor regional do IBGM em Mato Grosso, Roberto Cavalcanti Batista.
O protocolo reconhece a mineração como atividade estratégica para o desenvolvimento econômico e social de Mato Grosso, destacando sua capacidade de gerar emprego, renda, arrecadação, inovação tecnológica e integração regional. O documento também reforça a necessidade de alinhamento do setor mineral às exigências globais de sustentabilidade ambiental, governança, rastreabilidade e responsabilidade socioambiental.
Projeto Ouro sem Mercúrio
Entre os principais pilares da cooperação está o projeto “Ouro Sem Mercúrio na Baixada Cuiabana”, conduzido pelo IBGM em parceria com mineradores de pequena e média escala da região. A iniciativa prevê a eliminação do uso do mercúrio na produção aurífera, em conformidade com os compromissos assumidos pelo Brasil na Convenção de Minamata sobre Mercúrio, além da implantação de sistemas modernos de rastreabilidade mineral e certificação do ouro produzido no estado.
Segundo Écio Morais, o projeto representa uma transformação estrutural para a cadeia produtiva do ouro no Brasil.
“A indústria joalheira responde por mais de 50% da demanda de ouro primário no mundo. Isso mostra a importância de uma cadeia produtiva profissional, rastreável e com procedência de origem. O Brasil produz cerca de 100 toneladas de ouro por ano e exporta 90% dessa produção em estado bruto. Se esse ouro fosse processado pela indústria joalheira nacional, poderíamos agregar cerca de R$ 1 bilhão por tonelada exportada”, afirmou.
Écio destacou ainda que o acordo prevê a implantação de um polo joalheiro em Mato Grosso, iniciativa considerada estratégica para agregar valor à produção mineral do estado, estimular a economia criativa e ampliar a competitividade brasileira no mercado internacional de joias.
“Estamos trazendo inteligência artificial aplicada à mineração de pequena e média escala para fortalecer a rastreabilidade do ouro. É uma inovação que poucos lugares do mundo possuem. Esse projeto tem potencial para se tornar um divisor de águas não apenas em Mato Grosso ou no Brasil, mas na mineração mundial de pequena e média escala”, completou.
Roberto Cavalcanti ressaltou que a parceria fortalece institucionalmente o estado e cria mecanismos para formalização e valorização do ouro mato-grossense.
“Com esse projeto, Mato Grosso avança em sustentabilidade, governança e agregação de valor ao ouro produzido aqui. O ouro será rastreado, certificado e receberá selos de qualidade e sustentabilidade. Isso aumenta sua competitividade nos mercados nacional e internacional, além de contribuir para combater o mercado ilegal e mitigar os impactos do crime organizado na cadeia do ouro”, afirmou.
Representando o Parlamento estadual, a vice-presidente do Grupo de Trabalho da Mineração, Taís Costa, afirmou que o acordo simboliza uma nova fase para o setor mineral mato-grossense.
“Pela primeira vez em quase 200 anos, o Parlamento possui um grupo de trabalho dedicado à mineração. O IBGM é hoje uma referência mundial em sustentabilidade, verticalização da cadeia produtiva e rastreabilidade. Estamos falando de desenvolvimento econômico, segurança e sustentabilidade. Esse projeto é disruptivo e coloca Mato Grosso em posição de destaque nacional”, declarou.
O Protocolo de Intenções estabelece ainda cooperação para realização de seminários, eventos técnicos, estudos, produção de dados estratégicos, incentivo à pesquisa, qualificação profissional e desenvolvimento tecnológico voltado à mineração sustentável. As ações também deverão fortalecer a cadeia produtiva da joalheria no estado, promovendo geração de emprego, atração de investimentos e desenvolvimento regional.
Agenda estratégica
Entre os dias 19 e 22 de maio de 2026, a diretoria do IBGM, liderada por Écio Barbosa de Morais e Roberto Cavalcanti Batista, cumpriu uma intensa agenda estratégica em Mato Grosso para impulsionar o Projeto Ouro sem Mercúrio. A iniciativa promoveu a integração entre o setor produtivo, o poder público e a inovação internacional, contando com o apoio técnico da multinacional canadense Preemptor AI. Durante o período, foram realizadas visitas institucionais à FIEMT (SENAI MT) e ao SEBRAE para estreitar laços voltados ao desenvolvimento industrial e ao apoio ao pequeno minerador, além de vistorias técnicas às mineradoras Moriá, Bom Jesus e Santa Clara, referências em extração sustentável nos municípios de Poconé e Nossa Senhora do Livramento.
Essa articulação estratégica garantiu conquistas fundamentais para o setor, como a cessão de um laboratório exclusivo no Parque Tecnológico de Mato Grosso para pesquisas de rastreabilidade mineral e o desenvolvimento de soluções em Inteligência Artificial aplicada à mineração. Com essas ações, o IBGM fortalece a construção de políticas públicas estruturadas e consolida o estado de Mato Grosso como a principal vitrine nacional de mineração moderna, segura e com rastreabilidade digital garantida.
Sobre o IBGM
O IBGM – Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos representa a cadeia produtiva de gemas, joias e metais preciosos no Brasil, atuando no fortalecimento institucional do setor, na promoção da sustentabilidade, rastreabilidade mineral, inovação tecnológica e valorização da joalheria brasileira no mercado nacional e internacional.





