domingo, 24 de maio de 2026, 18:40
POLÍTICA

Entre Bolsonaro e Gilmar: o jantar que expõe contradições e o velho fisiologismo mato-grossense

Fontes revelam que a deputada se referiu ao ministro como padrinho

Por Redação

19 de maio de 2026, 16:02

A política costuma revelar suas maiores contradições não nos discursos, mas nas mesas de jantar. E foi justamente um encontro aparentemente simples, ocorrido em Cuiabá, que reacendeu um debate antigo sobre coerência política, fisiologismo e sobrevivência no poder.

Enquanto lideranças e militantes ligados ao bolsonarismo em diversas ocasiões transformaram o ministro Gilmar Mendes em alvo frequente de críticas e pedidos de impeachment, em Mato Grosso a pré-candidata ao Senado Janaína Riva apareceu novamente próxima do magistrado em um encontro social que ganhou repercussão política.

O episódio talvez não chamasse tanta atenção se não existisse um contexto anterior. Há anos, opositores associam a relação entre Gilmar Mendes e o grupo político da família Riva a uma proximidade que vai além das formalidades institucionais. Fotos, homenagens públicas, presença em eventos e manifestações mútuas de prestígio alimentaram, ao longo do tempo, uma narrativa explorada por adversários políticos.

Mas a discussão ultrapassa a relação pessoal. O centro da questão passa a ser a mensagem política transmitida.

Em um cenário nacional onde setores do eleitorado conservador frequentemente apresentam Gilmar Mendes como símbolo do que chamam de “ativismo judicial” ou de excessos do Supremo, a aproximação pública cria um contraste inevitável. Para parte do eleitorado mais alinhado à direita, surge a pergunta: como uma candidatura que busca dialogar com esse campo político mantém proximidade com uma das figuras mais rejeitadas por esse mesmo segmento?

A resposta dos críticos é direta: porque a lógica não seria ideológica; seria fisiológica.

A família ligada ao ex-deputado José Riva é frequentemente apontada por adversários como símbolo de uma política moldada pela adaptação permanente. Mudam-se siglas, mudam-se alianças, muda-se o discurso predominante, mas permanece a capacidade de ocupar espaços de poder.

Em diferentes momentos, grupos associados a esse campo político estiveram próximos de estruturas distintas, sempre acompanhando rearranjos do tabuleiro político estadual. Hoje, a construção ocorre dentro do MDB, partido do ex-prefeito Emanuel Pinheiro e historicamente conhecido por abrigar correntes variadas.

Nessa leitura crítica, o senador Wellington Fagundes também aparece como peça representativa desse pragmatismo político. Frequentemente citado por adversários como alguém que transitou entre diferentes composições políticas ao longo da carreira, seu nome reforça uma crítica recorrente: a de que determinadas estruturas não funcionam a partir de projetos claros, mas da capacidade de permanecer próximas do poder, independentemente de quem o exerça.

No fim, o jantar deixa de ser apenas um jantar.

Ele se transforma em símbolo de algo maior: a distância entre o discurso apresentado ao eleitor e os movimentos feitos nos bastidores. Porque alianças políticas podem mudar. Estratégias eleitorais também. O que se torna mais difícil explicar é quando o eleitor é convidado a acreditar em uma narrativa enquanto as imagens contam outra história.

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