domingo, 24 de maio de 2026, 19:28
JUSTIÇA

Falta de segurança em obras resulta em duas mortes por eletrocussão em menos de um ano

Eletrocussões em obras recentes expõem riscos de construções próximas à rede elétrica.

Por Redação

14 de janeiro de 2026, 20:37

Falta de segurança em obras resulta em duas mortes por eletrocussão em menos de um ano

A morte de Edson Paulo dos Santos, de 60 anos, registrada na manhã de segunda-feira, 12 de janeiro, no bairro Parque São Jorge, em Rondonópolis, causou indignação entre familiares e moradores, diante da falta de fiscalização em obras próximas à rede elétrica.

Edson realizava o reboco da fachada de um sobrado de dois pavimentos quando entrou em contato com a fiação de um poste e sofreu uma descarga elétrica. Ele trabalhava no segundo andar da construção, que não contava com guarda-corpo nem outros equipamentos de proteção coletiva.

O Samu foi acionado e constatou a morte ainda no local. O Corpo de Bombeiros fez a retirada do corpo, que se encontrava em um ponto de difícil acesso e em altura. A perícia técnica foi acionada para apurar as circunstâncias do acidente.

Para a família, o ocorrido não pode ser tratado como fatalidade. O sobrinho da vítima, Everton Neves, afirma: “Meu tio não foi vítima de uma fatalidade. Ele foi vítima de uma sucessão de omissões. As normas técnicas são claras ao estabelecer distâncias mínimas de segurança entre edificações e redes de energia elétrica justamente para evitar tragédias como essa. Quando o poder público e as instituições responsáveis deixam de fiscalizar e agir preventivamente, o risco se materializa em perda irreparável. Minha família hoje vive o luto, mas também cobra providências para que outras vidas não sejam ceifadas pela mesma negligência.” Edson Paulo deixa esposa e filhos pequenos.

Normas técnicas de segurança do trabalho, da construção civil e das concessionárias de energia estabelecem distâncias mínimas obrigatórias entre edificações e redes elétricas, especialmente em construções com mais de um pavimento e atividades em altura. Quando essas regras não são observadas ou fiscalizadas, situações de risco passam a fazer parte da rotina das obras.

Outro caso registrado no ano passado reforça o alerta. Em 25 de abril de 2025, o pintor Douglas Ribeiro Florêncio, de 34 anos, morreu eletrocutado enquanto realizava a pintura de um prédio na região central de Rondonópolis.

Douglas trabalhava próximo a uma rede energizada e morreu em decorrência de choque elétrico, apresentando marcas de queimaduras nas mãos. Parte do corpo ficou para fora da edificação, pendurada em um toldo. SAMU, IML e Politec atenderam a ocorrência.

Em menos de um ano, dois trabalhadores perderam a vida em situações semelhantes. Familiares cobram providências de órgãos como o Ministério Público, o CREA, a Prefeitura e a concessionária de energia. Cada instituição conhece suas atribuições. O que falta, segundo eles, é fiscalização efetiva, prevenção e ação conjunta.

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